Data de Publicação:
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Publicado por
Cidades Digital
Escutas telefônicas apontam indícios de fraude no Enem em Minas Gerais
Crime teria sido cometido em Barbacena, na Região Central do estado. Quadrilha já era investigada por venda de vagas em faculdades de MG e RJ.
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Escutas telefônicas gravadas com autorização da Justiça apontam indícios de fraude no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), realizado em outubro deste ano. Segundo informações divulgadas em coletiva de imprensa, nesta quinta-feira (19), em Belo Horizonte, o crime teria sido praticado, em Barbacena, na Região Central de Minas Gerais, por um grupo que já era investigado por suspeita de vender vagas em cursos de medicina em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.
De acordo com as apurações, o ponto eletrônico era uma das formas usadas para passar as repostas do Enem aos candidatos. Nas ligações telefônicas, obtidas pela polícia com autorização da Justiça, o grupo combinava também o envio das questões por mensagem de celular.
Fraudador: O Enem não tem errada, cara. Vou te mandar o gabarito amarelo com 100% de acerto. É só você ficar esperto, copiar certinho e sair pro abraço.
Candidato: Beleza, então. No Enem não tem fiscalização de nada, né?
Fraudador: Tem nada, nossa senhora, você pode levar um notebook.
Candidato: Beleza, então. No Enem não tem fiscalização de nada, né?
Fraudador: Tem nada, nossa senhora, você pode levar um notebook.
Já o presidente do instituto, Luiz Cláudio Costa, disse que quer a apuração dos fatos. “Nós detectamos e retiramos 1522 pessoas em todo o Brasil que estavam com algum tipo de tentativa de fraude. Então, é um exame completamente rigoroso, intolerante a qualquer tipo de fraude e por isso é que nós queremos toda a apuração, como nós já fizemos muito antes dessa apuração, nós já tínhamos retirado essas pessoas no dia das provas”, pontuou.As investigações apontam que um fiscal do Enem teria recebido R$ 10 mil para repassar o caderno de provas de cor amarela para um integrante da quadrilha. O delegado que presidiu o inquérito, Fernando José Lima, disse que isso ocorreu com agilidade, logo no início da exame. As questões eram resolvidas por outros integrantes do grupo, os chamados pilotos.
A polícia declarou que o grupo ainda tinha a ajuda de pessoas chamadas de corretores, que iam atrás de candidatos para oferecer o serviço criminoso. Eles prometiam aprovação em cursos disputados em universidades públicas.
Intermediário: E esse valor consegue a quanto?
Fraudador: O Enem é R$ 70 mil, você tem que passar R$ 70 mil. Você pode cobrar aí R$ 100 mil, ué.
Como garantia, o candidato poderia pagaria depois da divulgação do resultado. O delegado afirmou que o preço cobrado aos candidatos era entre R$ 70 mil e R$ 100 mil pelas respostas, mas ainda não há um levantamento do número de pessoas que podem ter sido beneficiadas no exame.
A partir de agora, a investigação vai ser repassada para a Polícia Federal. Segundo o delegado Paulo Henrique Barbosa, os possíveis beneficiados vão ser investigados.
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) informou, por meio de nota no início da tarde desta quinta-feira que a segurança durante a aplicação do Enem é feita antes, durante e após as provas, com o acompanhamento da Polícia Federal. O Inep ainda disse que acompanha os desdobramentos das investigações da “Operação Hemostase”, e que, até o momento, segundo a Polícia Federal, não existe qualquer elemento que indique, mesmo que de forma pontual, o beneficiamento de qualquer candidato.
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Fonte: G1

